Isto Fica Feliz em Ser Útil

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Rascunho #720 – Uma nova vírgula – Versão 2 – Página 692 – Isto Fica Feliz em Ser Útil


[…] Você já assistiu aos filmes “O Homem bicentenário” e “AI – Inteligência Artificial”? Ambos são filmes sobre robôs e ficção científica. Eles trazem uma mensagem desigual para todos nós!

Todo filme bom transmite uma mensagem no enredo da história contada. Pode ser um pensamento filosófico, um questionamento sobre a vida, a defesa de uma ideia, dentre outros. Mas esses dois filmes citados são intrigantes pelo fato de nos fazerem refletir sobre a realidade do ser humano ser especial por justamente ser humano.

“Isto Fica Feliz em Ser Útil”

A vida na Terra começou há cerca de 3,5 bilhões de anos com os procariontes, organismos unicelulares simples, que ainda hoje existem sob a forma de bactérias. Foi apenas em torno de 300 milhões de anos atrás que uma importante mudança ocorreu: a partir dos organismos reptilianos surgiram os primeiros mamíferos.

Contudo, a partir de um certo momento em nossa evolução, com a civilização reduzindo em muitos dos perigos naturais imediatos a que éramos submetidos, foi tomando força a nossa área racional, mais ponderada e, por isso mesmo, um pouco mais lenta. Essa área racional, em contraste com a emocional, não dispõe de “circuitos prontos”. Aquilo que chamamos de “razão” ou de “raciocínio lógico” ou mesmo de “bom senso” não é algo que tenha expressão explícita em nossos genes, é, na essência, um comportamento aprendido.

A estrutura emocional dos seres humanos não é sempre a mesma durante sua vida. Há diversas alterações, conforme a pessoa se submete a novas experiências. Quando nascem, os bebês têm uma estrutura emocional fundamentalmente simples. Entretanto, com o passar do tempo, o bebê vira uma criança, depois vira um adolescente e finalmente um adulto. É um longo — e, na maioria das vezes, doloroso — período de aprendizado cognitivo e emocional, no qual se ganham noções complexas como vergonha, culpa, preocupação, afeto, altruísmo, dedicação, compaixão e muito mais.

A nossa racionalidade tem que participar desse processo, tem que crescer junto, tem que justificar ou não algumas dessas emoções, nas várias circunstâncias em que ocorrem. Assim, se você combina um almoço com um grande amigo seu ou uma namorada por exemplo, se ele ou ela se atrasa e acaba não indo ao compromisso, é natural que se fique frustrado e com certa irritação.

Contudo, não se deve deixar que essa frustração e indignação tome conta de nossa mente. E por que não? Ora, porque a nossa racionalidade tem como sugerir que esse atraso poderia ter sido devido a um problema que o impediu até mesmo de comunicar que não poderia estar presente ao compromisso.

O grande filósofo britânico David Hume já dizia que a razão é a serva das paixões. Hume dizia que precisamos de paixões para motivar nossas ações. Ainda bem que fazemos isso! – Podemos creditar boa parte do progresso da humanidade a nossa imperiosa necessidade de satisfazer nossas mais básicas necessidades emocionais, além de segurança, diversão, conforto, facilidades para convívio, dentro outros. Entretanto, é preciso reconhecer que a razão pode ir um pouquinho além do que Hume propunha. Acredito que seja possível achar um lugar para a razão de tal forma que esta consiga mudar um pouco daquilo que desejamos. É possível, inclusive, dizer que boa parte do progresso da humanidade se deve à restrição de certos impulsos emocionais, devido a uma troca racional deles por outras formas de satisfação.[…]