Já está quase de manhã – Primeira Parte. O início

Aqui o tempo vem da minha mente, controlo a chuva, o sol, as plantas e quase tudo que se existe, menos o poder do tempo sobre minha natureza. Pelo menos costumava ser assim até hoje, sinto que algo está errado só não consigo saber o que é ainda.

Como de costume, aqui os celulares não funcionam e também não conseguiria usar se funcionassem, os computadores são aparelhos velhos jogados de canto, existe pouca energia e a que existe está se esgotando. A pouco tempo atrás, conseguia ouvir os ponteiros do relógio em meu braço esquerdo se moverem, não sei ao certo o que aconteceu, mas pelas minhas contas o ponteiro parou as onze horas, agora raramente se coloca em outra posição, quando se movimenta não consigo reconhecer que horas são pelo som, mas ainda é dia, sinto a presença do sol e o calor fritando minha pele.

Pouco a frente de onde estou, sinto como se existisse uma sincronia entre o vento, os pássaros, as árvores e todo o resto. O vento soprando suave levando a música vinda dos pássaros as árvores e ao resto dos animais, uma sinfonia, construida a notas perfeitas. As árvores, por sua vez, se movimentam lentamente, evitando causar qualquer barulho, a sensação é como se eu fizesse parte daquele equilíbrio, mas não pudesse aproveita-lo.

De repente sinto uma força me inclinar em uma direção específica, norte ou sul? Não sei, mas o vento me empurra a essa direção me forçando a acreditar que algo está errado, a música para, as árvores começam a se movimentar de forma rápida e o vento forte toma para si o controle da situação. Definitivamente perdi o controle de tudo, começo a ficar com medo, existe algo diferente em minha cabeça, eu sempre estive no controle da situação, mas agora nada me responde. Sinto algo bater em costas, estou sendo empurrado para algo que não sei onde vai dar, pedaços cortantes começam a passar e entrar em contato com meus braços, cortando-os e fazendo pequenas feridas, entro em contato com uma parede, foi uma grande pancada, estou zonzo, sinto uma dor muito forte vindo da lateral direta da minha cabeça. Desmaio.

A calmaria surge num picar de olhos, a realidade também,estou sentado próximo a uma caixinha de som, a um som suave tocando, ao meu lado um árvore, a brisa se faz presente de tempos em tempos, tudo se conecta ao outro mundo de forma clara e concreta. Em minha mão algo ilegal, em sua grande quantidade chamando o vício de amigo. Algo me diz que já estou aqui faz algumas horas, um celular quebrado dificulta o meu entendimento sobre a hora e o tempo perdido, deixo cair o produto no chão, nunca tinha indo tão longe, estou meio fraco, de repente apago. […]

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